laboriô
No alto da Rocinha, uma faixa de casas que sobe no meio da mata, rumo ao Morro do Laboriaux. É o canto dos “gaviões do morro”, os meninos do Laboriô fotografados pela Fotogracria.
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rocinha · rio de janeiro/22°59′ S · 43°15′ O/rio de janeiro, UTC−3
Três projetos de imagem feitos com as crianças e os jovens da Rocinha, e três exposições coladas nos seus muros, onde as histórias nascem.
três projetos, em ordema favela é, por si só, um museu vivo.
Aqui ninguém veio “dar voz”. As imagens são feitas juntas: as crianças, os jovens e os moradores e moradoras da Rocinha fotografam, e a Fotogracria e a equipe da mOst fotografam com eles, nas caminhadas, nas oficinas e nos encontros. Os títulos, as legendas e as escolhas de montagem são dos participantes. A mOst, e depois a Fotogracria, abriram o espaço, trouxeram ferramentas e acompanharam os olhares.
Depois, as imagens voltaram para os becos. Coladas nos muros da comunidade, foram vistas primeiro por quem vive ali, antes de chegar aqui, neste arquivo on-line.
Nas encostas do Morro Dois Irmãos, entre a Gávea e São Conrado, a Rocinha é a favela mais populosa do Brasil: 72.021 moradores no Censo de 2022. Muitas vezes ela é mostrada de longe: um cartão-postal visto da praia, ou uma manchete em dia de operação policial.
Este site parte do outro lado: os becos e as vielas, as lajes onde se dança, se estende a roupa e se solta pipa, a Rua 4, o Portão Vermelho, a Macega e a T.L., lá no alto. Cada lugar tem seu nome, sua história, seus frequentadores. As crianças da Rocinha conhecem todos de cor. Foram elas que os fotografaram.
Essa foto me traz uma calmaria inexplicável e uma nostalgia da época da minha mãe. (vibe da rocinha, 2024)
Gire a maquete: cada marcador abre as fotos feitas naquele lugar, do alto do morro até a Estrada da Gávea.
arraste para girar · faça pinça ou ctrl + roda para aproximar · toque num marcador para ver as fotos
No alto da Rocinha, uma faixa de casas que sobe no meio da mata, rumo ao Morro do Laboriaux. É o canto dos “gaviões do morro”, os meninos do Laboriô fotografados pela Fotogracria.
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Um lugar onde crianças e adultos vêm praticar esporte, com a bandeira do Flamengo na entrada. Em 2024, os jovens fotografaram ali os seus amigos.
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No alto, do lado do Morro Dois Irmãos, a quadra que todo mundo chama de T.L. (Terra da Lama). Foi ali que aconteceram as oficinas de “viver é um luxo”, com as crianças da T.L.
ver no projeto2025 · viver é um luxo 2025-2026 · os menor da rua 4
No alto da encosta oeste, na beira da mata. Crianças brincam numa laje da Dionéia, no inverno: “kurumins, o futuro da rocinha”.
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A laje de onde se solta pipa e o chuveirão onde os crias se refrescam nos dias de calor.
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Onde a Fotogracria cresceu. Antes eram becos estreitos; hoje é uma rua em ladeira, de moto, de skate e do Salão dos Crias. O coração de “os menor da rua 4”.
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A grande curva da Estrada da Gávea, a estrada que atravessa toda a Rocinha. Uma vista que volta de um projeto para o outro: “vibe da rocinha” em 2024, depois “os menor da rua 4”.
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No meio da encosta, do lado oeste. No Natal de 2020, durante uma pintura, Breno atravessa a rua feliz, com uma lata de tinta spray na mão.
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Na parte de baixo da favela, os becos ao longo do Valão, o canal que dá nome ao lugar. Breno e Brian jogam The King of Fighters numa barbearia.
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Um largo na parte de baixo da favela, do lado de São Conrado. O WB dança passinho na laje do Ruan, e o Bruno sorri antes de ir à praia.
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A favela vizinha, do outro lado do Morro Dois Irmãos. A Fotogracria fotografou ali o MC Poze, sorrindo nos bastidores da gravação de um clipe.
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Seis salas, dez muros, uma exposição colada por toda a favela: o coração deste site, feito com a fotógrafa Fotogracria e as crianças da T.L.
Salemm, a Fotogracria, fotógrafa e diretora criativa, nascida e criada na Rua 4.
Salemm, também conhecida como Fotogracria, é fotógrafa e diretora criativa. Nascida e criada na favela da Rocinha, na Rua 4, cresceu cansada das retratações negativas sobre a sua comunidade e decidiu mostrar a beleza entre os becos e vielas a partir da sua perspectiva de moradora, com muita criatividade e arte no audiovisual.
Suas imagens não vêm de uma reportagem: vêm de uma vida. Gustavo de moto pelas ladeiras da nova Rua 4, onde antes eram os becos estreitos em que os dois se criaram; as meninas dançando funk na laje de Eliane, sua mãe; Maquininha, o barbeiro cuja trajetória ela documenta desde 2020. A fotógrafa está dentro da imagem tanto quanto atrás dela.


Antes de ser Rocinha, e antes mesmo da fazenda Quebra Cangalha, este morro era, no século XVI, território dos Tamoios. A partir desse conhecimento e dos seus arquivos familiares, a Fotogracria começou o projeto “desapagamento”: registrar a memória viva dos indígenas e de seus descendentes nas favelas.
A primeira fotografia da série mostra Abeguar na laje da autora, no Laboriô, a parte mais alta da Rocinha, de frente para o Morro Dois Irmãos, ao lado de um pé de embaúba. É uma espécie muito resistente, importante para o reflorestamento da Mata Atlântica.
Ela pesquisa também a cultura de descolorir os cabelos dentro das favelas e o apagamento da identidade indígena. O “reflexo”, as bolinhas loiras feitas com a touca de salão furada, é para ela a marca de quem foi tocado por Guaraci, o Sol; o “nevou”, o cabelo totalmente descolorido, a de quem foi tocado por Jaci, a Lua.
Desde 2025, a Fotogracria concebe e realiza os projetos junto com a mOst. Ela conduz as oficinas de fotografia e direção artística, acompanha as crianças quando dão título e legenda às suas imagens, expõe as próprias fotografias ao lado das delas e monta com elas as exposições no morro.
Seu olhar vem de dentro: dos becos, vielas e lajes que ela conhece como moradora. Junto com a mOst, esse encontro virou método: co-criação real, em que os participantes se envolvem em todas as etapas, da ideia à colagem.
queremos que a arte aconteça onde as histórias nascem.Na mOst, um projeto não é feito “sobre” um território: ele é construído a partir dele, com quem o constrói todos os dias. Na Rocinha, as oficinas foram pensadas como um processo completo, do olhar ao gesto, da conversa à imagem.
A cada encontro, o grupo escolheu o que queria mostrar, como queria mostrar e quais histórias mereciam ganhar forma. Ninguém escreveu no lugar de ninguém.
A equipe da mOst também fotografa. Faz muitas imagens com os jovens e ao lado deles: nas caminhadas, nas oficinas, nas sessões de pose e nas colagens. Essas fotos fazem parte do processo criativo: guardam o registro dos encontros e da cocriação, e entram no arquivo comum, junto com as dos participantes.

Enquadrar, esperar, escolher. No analógico e no digital, as crianças fotografam os amigos, os lugares, os seus ídolos.

Posar, encenar, escolher a luz: com a Fotogracria, a foto vira também uma imagem construída junto.

Em 2024, cada um desenha a sua Rocinha: caminhos, lugares queridos, lugares evitados. O mapa depois orienta as caminhadas fotográficas.

Pequenas entrevistas com vizinhos e pessoas próximas: escutar antes de mostrar.

Cada imagem ganha um nome e uma frase, na língua da comunidade. É aí que o olhar vira narrativa.

Cartazes grandes colados com escova nos muros: a exposição vai para a rua, sem horário nem ingresso.
Arquivar é um gesto de reparação. Os arquivos familiares permitiram que ela reencontrasse a história indígena da Rocinha. Suas fotos de Maquininha, de Bruno, das crianças da Rua 4 constroem, ano após ano, uma memória que ninguém vai guardar no lugar deles.
Bruno, um dos primeiros fotógrafos que ela conheceu, começou fotografando os atletas de bodyboarding da Rocinha. Hoje é ela quem fotografa Bruno: o arquivo passa de mão em mão.
O arquivo não é um acervo guardado numa caixa: é o que volta para a comunidade. Folhas de contato coladas na rua, nomes de quem fez, legendas com as palavras de cada um: as imagens de 2024 respondem às de 2025, que respondem às de 2026.
Este site é a versão on-line disso: um arquivo vivo, aberto, que se consulta da Rocinha ou de Montreuil, e que vai continuar crescendo.

três folhas de contato coladas lado a lado, 2026: macega / terra da lama · rua 4 · la noue / clos-français
Mais do que levar a comunidade ao museu, fazer da favela o museu. As três exposições aconteceram primeiro na Rocinha, nos seus muros: cartazes grandes colados com escova nos becos, nas fachadas, na frente de um salão, ao pé das escadas.
Quem passa para, as crianças reencontram suas fotos, os vizinhos se reconhecem. Uma exposição na rua não tem horário, nem ingresso, nem segurança: ela é de todo mundo, e envelhece junto com os muros que a sustentam. É isso fazer das periferias espaços de cultura.
2024 · vibe da rocinhaver a exposição →
2025 · viver é um luxover a exposição →
2025-2026 · os menor da rua 4ver a exposição →A mOst trabalha em bairros populares na França e em outros lugares: a Maré, no Rio, Valle de Chalco, no México, l’Almont, em Melun, La Noue, em Montreuil. Com “os menor da rua 4”, dois desses territórios dialogaram diretamente: as crianças de La Noue / Clos Français apresentaram seu bairro às crianças da Rua 4, e suas fotos foram coladas na Rocinha, ao lado das fotos da Macega e da Rua 4.
Rocinha e Montreuil, Rua 4 e La Noue: cada uma com a sua linguagem e a sua energia, mas com a mesma certeza: as periferias não são margem. São centro de criação, memória e futuro.
Aqui é o nosso bairro: o mundo é da Noue!as crianças de La Noue / Clos Français, Montreuil, 2025