mOst — mon œil sur terrerocinha · rio de janeiro/22°59′ S · 43°15′ O/rio de janeiro, UTC−3
rio de janeiro · favela da rocinha · 2024 → 2026

rocinhavista de dentro

Três projetos de imagem feitos com as crianças e os jovens da Rocinha — e três exposições coladas nos seus muros, onde as histórias nascem.

três projetos, em ordem
  1. 2024 · com a REF Rocinhavibe da rocinhaComo os jovens mostram a sua Rocinha?
  2. 2025 · fotogracria × mOstviver é um luxodestaqueE se a favela fosse o museu?
  3. 2025 – 2026 · fotogracria × mOstos menor da rua 4Como ligar duas periferias?
nesta página

a favela é, por si só, um museu vivo.

— fotogracria × mOst, “os crias da tl”, 2025

Aqui ninguém veio “dar voz”. As imagens são feitas juntas: as crianças, os jovens e os moradores e moradoras da Rocinha fotografam, e a Fotogracria e a equipe da mOst fotografam com eles, nas caminhadas, nas oficinas e nos encontros. Os títulos, as legendas e as escolhas de montagem são dos participantes. A mOst, e depois a Fotogracria, abriram o espaço, trouxeram ferramentas e acompanharam os olhares.

Depois, as imagens voltaram para os becos. Coladas nos muros da comunidade, foram vistas primeiro por quem vive ali — antes de chegar aqui, neste arquivo on-line.

a rocinha, a partir dos seus becos

o território

Nas encostas do Morro Dois Irmãos, entre a Gávea e São Conrado, a Rocinha é a favela mais populosa do Brasil: 72.021 moradores no Censo de 2022. Muitas vezes ela é mostrada de longe — um cartão-postal visto da praia, ou uma manchete em dia de operação policial.

Este site parte do outro lado: os becos e as vielas, as lajes onde se dança, se estende a roupa e se solta pipa, a Rua 4, o Portão Vermelho, a Macega e a T.L., lá no alto. Cada lugar tem seu nome, sua história, seus frequentadores. As crianças da Rocinha conhecem todos de cor. Foram elas que os fotografaram.

72.021moradores, Censo IBGE 2022
3projetos, de 2024 a 2026
3exposições coladas na rua
2periferias em diálogo: Rocinha e La Noue
vista da curva do s
vista da curva do s

Essa foto me traz uma calmaria inexplicável e uma nostalgia da época da minha mãe. — vibe da rocinha, 2024

os lugares das imagens

Cada nome leva às imagens feitas ali.
kurumins, o futuro da rocinha
destaque · 2025

viver é um luxo

Seis salas, dez muros, uma exposição colada por toda a favela: o coração deste site, feito com a fotógrafa Fotogracria e as crianças da T.L.

visitar a exposição →

fotogracria, cria da rua 4

a fotógrafa

Salemm, a Fotogracria, fotógrafa e diretora criativa, nascida e criada na Rua 4.

originais são originários – abeguar
originais são originários – abeguar

Salemm, também conhecida como Fotogracria, é fotógrafa e diretora criativa. Nascida e criada na favela da Rocinha, na Rua 4, cresceu cansada das retratações negativas sobre a sua comunidade e decidiu mostrar a beleza entre os becos e vielas a partir da sua perspectiva de moradora, com muita criatividade e arte no audiovisual.

Suas imagens não vêm de uma reportagem: vêm de uma vida. Gustavo de moto pelas ladeiras da nova Rua 4, onde antes eram os becos estreitos em que os dois se criaram; as meninas dançando funk na laje de Eliane, sua mãe; Maquininha, o barbeiro cuja trajetória ela documenta desde 2020. A fotógrafa está dentro da imagem tanto quanto atrás dela.

uma trajetória
  • Laboratório de ImagensResidência do Observatório de Favelas com o Instituto Moreira Salles: um e-book incorporado aos acervos do IMS e do Observatório.
  • Pontos de VistaResidência que resultou num livro impresso, com mais nove artistas periféricos residentes.
  • FUNK! Um grito de ousadia e liberdadeDuas obras sobre o “Loiro Pivete” expostas no Museu de Arte do Rio e depois na Maison Folie Wazemmes, em Lille.
  • Google Arts & CultureSete obras no acervo permanente, expostas no Museu do Amanhã e na abertura do Museu das Favelas.
  • Ludmilla, Rock in Rio 2022 · The Town 2023Suas fotos foram cenário do show de dez anos de carreira da cantora.
  • AINDADiretora criativa da revista híbrida, no programa “Fazendo a Cena”, do Canal OFF.
nevou na rua 4
nevou na rua 4
ritual de beleza de guaraci e jaci
ritual de beleza de guaraci e jaci

desapagamento

Antes de ser Rocinha — antes mesmo da fazenda Quebra Cangalha —, este morro era, no século XVI, território dos Tamoios. A partir desse conhecimento e dos seus arquivos familiares, a Fotogracria começou o projeto “desapagamento”: registrar a memória viva dos indígenas e de seus descendentes nas favelas.

A primeira fotografia da série mostra Abeguar na laje da autora, no Laboriô, a parte mais alta da Rocinha, de frente para o Morro Dois Irmãos, ao lado de um pé de embaúba — uma espécie muito resistente, importante para o reflorestamento da Mata Atlântica.

nevou, reflexo: o cabelo como ritual

Ela pesquisa também a cultura de descolorir os cabelos dentro das favelas e o apagamento da identidade indígena. O “reflexo”, as bolinhas loiras feitas com a touca de salão furada, é para ela a marca de quem foi tocado por Guaraci, o Sol; o “nevou”, o cabelo totalmente descolorido, a de quem foi tocado por Jaci, a Lua.

gustavinho e o lazer de ser cria da rua
fotogracria × mOst

o papel dela nos projetos

Desde 2025, a Fotogracria concebe e realiza os projetos junto com a mOst. Ela conduz as oficinas de fotografia e direção artística, acompanha as crianças quando dão título e legenda às suas imagens, expõe as próprias fotografias ao lado das delas e monta com elas as exposições no morro.

Seu olhar vem de dentro — dos becos, vielas e lajes que ela conhece como moradora. Junto com a mOst, esse encontro virou método: co-criação real, em que os participantes se envolvem em todas as etapas, da ideia à colagem.

queremos que a arte aconteça onde as histórias nascem.

fazer com, não sobre

o jeito de fazer

Na mOst, um projeto não é feito “sobre” um território: ele é construído a partir dele, com quem o constrói todos os dias. Na Rocinha, as oficinas foram pensadas como um processo completo — do olhar ao gesto, da conversa à imagem.

A cada encontro, o grupo escolheu o que queria mostrar, como queria mostrar e quais histórias mereciam ganhar forma. Ninguém escreveu no lugar de ninguém.

A equipe da mOst também fotografa. Chabanne, e agora também Naila, fazem muitas imagens com os jovens e ao lado deles: nas caminhadas, nas oficinas, nas sessões de pose e nas colagens. Essas fotos fazem parte do processo criativo: guardam o registro dos encontros e da cocriação, e entram no arquivo comum, junto com as dos participantes.

  1. caminhar pelo território
  2. fotografar
  3. escutar
  4. entrevistar
  5. dar título e legenda
  6. selecionar, editar
  7. escolher a montagem
  8. colar na rua
  9. olhar juntos
viver é um luxo · os crias da tl, 2025 — foto da exposição

a fotografia

Enquadrar, esperar, escolher. No analógico e no digital, as crianças fotografam os amigos, os lugares, os seus ídolos.

viver é um luxo · os crias da tl, 2025 — foto da exposição

a direção artística

Posar, encenar, escolher a luz: com a Fotogracria, a foto vira também uma imagem construída junto.

vibe da rocinha, 2024 — foto dos jovens da residência

a cartografia afetiva

Em 2024, cada um desenha a sua Rocinha: caminhos, lugares queridos, lugares evitados. O mapa depois orienta as caminhadas fotográficas.

vibe da rocinha, 2024 — foto dos jovens da residência

a entrevista

Pequenas entrevistas com vizinhos e pessoas próximas: escutar antes de mostrar.

viver é um luxo · os crias da tl, 2025 — foto da exposição

o título e a legenda

Cada imagem ganha um nome e uma frase, na língua da comunidade. É aí que o olhar vira narrativa.

meninos colam um cartaz com escova, um balde aos pés

o lambe-lambe

Cartazes grandes colados com escova nos muros: a exposição vai para a rua, sem horário nem ingresso.

guardar, para devolver

arquivos vivos
para a Fotogracria

Arquivar é um gesto de reparação. Os arquivos familiares permitiram que ela reencontrasse a história indígena da Rocinha. Suas fotos de Maquininha, de Bruno, das crianças da Rua 4 constroem, ano após ano, uma memória que ninguém vai guardar no lugar deles.

Bruno, um dos primeiros fotógrafos que ela conheceu, começou fotografando os atletas de bodyboarding da Rocinha. Hoje é ela quem fotografa Bruno: o arquivo passa de mão em mão.

para a mOst

O arquivo não é um acervo guardado numa caixa: é o que volta para a comunidade. Folhas de contato coladas na rua, nomes de quem fez, legendas com as palavras de cada um: as imagens de 2024 respondem às de 2025, que respondem às de 2026.

Este site é a versão on-line disso: um arquivo vivo, aberto, que se consulta da Rocinha ou de Montreuil, e que vai continuar crescendo.

três folhas de contato coladas lado a lado, 2026: macega / terra da lama · rua 4 · la noue / clos-français

três folhas de contato coladas lado a lado, 2026: macega / terra da lama · rua 4 · la noue / clos-français

expor onde se vive

museu vivo

Mais do que levar a comunidade ao museu, fazer da favela o museu. As três exposições aconteceram primeiro na Rocinha, nos seus muros: cartazes grandes colados com escova nos becos, nas fachadas, na frente de um salão, ao pé das escadas.

Quem passa para, as crianças reencontram suas fotos, os vizinhos se reconhecem. Uma exposição na rua não tem horário, nem ingresso, nem segurança: ela é de todo mundo, e envelhece junto com os muros que a sustentam. É isso fazer das periferias espaços de cultura.

vibe da rocinha, 2024 — foto dos jovens da residência2024 · vibe da rocinhaver a exposição →viver é um luxo · os crias da tl, 2025 — foto da exposição2025 · viver é um luxover a exposição →dois meninos colam a folha de contato num muro amarelo2025–2026 · os menor da rua 4ver a exposição →

de uma periferia a outra

olhares cruzados

A mOst trabalha em bairros populares na França e em outros lugares: a Maré, no Rio, Valle de Chalco, no México, l’Almont, em Melun, La Noue, em Montreuil. Com “os menor da rua 4”, dois desses territórios dialogaram diretamente: as crianças de La Noue / Clos Français apresentaram seu bairro às crianças da Rua 4, e suas fotos foram coladas na Rocinha, ao lado das fotos da Macega e da Rua 4.

Rocinha e Montreuil, Rua 4 e La Noue: cada uma com a sua linguagem e a sua energia, mas com a mesma certeza — as periferias não são margem. São centro de criação, memória e futuro.

Aqui é o nosso bairro: o mundo é da Noue!

— as crianças de La Noue / Clos Français, Montreuil, 2025

ver as três folhas →

os outros territórios